Um Ato pela democracia, soberania popular, poder e participação política das mulheres. A 7ª edição da Marcha das Margaridas reúne mais de 100 mil mulheres em Brasília entre esta terça e quarta-feira. O evento, coordenado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), federações e sindicatos filiados e 16 organizações parceiras, ocorre a cada quatro anos. O lema da edição de 2023 é “Pela Reconstrução do Brasil e Pelo Bem Viver”.
Para a Contag, a marcha é a maior ação política de mulheres da América Latina. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve fazer anúncios nesta quarta-feira, 16, em resposta às principais demandas das mulheres. Ainda em junho, a organização da marcha levou a pauta de solicitações ao governo federal.
A ministra da Saúde, Nísia Trindade, esteve na abertura oficial e antecipou que a pasta deve retomar o Grupo Terra, focado em desenvolver políticas para as populações do campo e da floresta; além de ações para acolhimento de mulheres e crianças vítimas de violência nas unidades básicas de saúde e reconstrução do comitê de avaliação de plantas medicinais e fitoterápicas.
Algumas demandas apresentadas pela marcha são a ampliação da participação das mulheres na política; combate à violência, racismo e sexismo; autonomia econômica; acesso à terra e educação; segurança alimentar; produção rural aliada à agroecologia e universalização da internet e inclusão digital.

Para a coordenadora-geral da marcha e secretária de Mulheres da Contag, Mazé Morais, a marcha “renderá frutos históricos capazes de mudar a vida de mulheres por meio de uma plataforma de resistência”.
A ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, destacou que as participantes marcham por seus ideais e por um país mais justo e pacífico. “Nós não queremos que seja o país do ódio e da raiva. Queremos que seja o país da paz”, disse.
Agricultoras da região estão presentes no evento
A Regional Sindical Médio Alto Uruguai (Astramau) mais uma vez se faz presente na Marcha das Margaridas. Uma caravana composta por 42 mulheres associadas, que representam os 23 Sindicatos desta Regional, representam todas as agricultoras e famílias rurais da região. A Fetag-RS está participando do evento com uma comitiva de 800 mulheres trabalhadoras rurais, que chegaram em Brasília para reivindicar pelos seus direitos.
De acordo com a assessora da Astramau, Ivete Rodrigues dos Santos, que participa do evento, a principal busca pelas mulheres é simplesmente por igualdade.
– Nós enquanto regional sindical, que é composta por 23 sindicatos, nós temos essa representação e estamos aqui firmes e fortes em defesa dos direitos das mulheres, das conquistas já adquiridas e também de novas buscas de conquistas, que a gente ainda precisa, para ter uma forma igualitária de estar perante homens, mulheres, jovens e aposentados. Somos mulheres, somos guerreiras, somos agricultoras familiares e temos então esse intuito de estar em Brasília representando a cada um e cada uma que ficou aí nos seus sindicatos de trabalhadores rurais, fazendo o seu trabalho, estando associados e nós enquanto representantes estamos aqui em Brasília para fazer este papel –, afirmou Ivete.
Pautas
As principais demandas reivindicadas este ano pelas "margaridas" estão divididas em 13 eixos políticos que serão debatidos nos dois dias do evento:
- Democracia participativa e soberania popular;
- Poder e participação política das mulheres;
- Vida livre de todas as formas de violência, sem racismo e sem sexismo;
- Autonomia e liberdade das mulheres sobre o seu corpo e a sua sexualidade;
- Proteção da natureza com justiça ambiental e climática;
- Autodeterminação dos povos, com soberania alimentar, hídrica e energética;
- Democratização do acesso à terra e garantia dos direitos territoriais e dos maretórios;
- Direito de acesso e uso da biodiversidade, defesa dos bens comuns;
- Vida saudável com agroecologia e segurança alimentar e nutricional;
- Autonomia econômica, inclusão produtiva, trabalho e renda;
- Saúde, Previdência e Assistência Social pública, universal e solidária;
- Educação Pública não sexista e antirracista e direito à educação do e no campo;
- Universalização do acesso à internet e inclusão digital.
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