Foto de Thalita Vizioli / Estagiária LA+
O Rio Grande do Sul é o segundo estado que mais produz cervejas artesanais no Brasil, segundo a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja, a CervBrasil. Ao todo são 285 microcervejarias espalhadas em 126 cidades. Para esta classificação, é preciso produzir no máximo 200 mil litros de cerveja por mês. Este é um empreendimento que, na maioria das vezes, inicia-se como hobby, de produções caseiras, demandando novos espaços assim que a marca cresce. Como é o caso da Siberian Beer, cervejaria rural de Seberi, que o maquinário doméstico permitia a produção de no máximo 150 litros, e com a popularização do sabor de suas cervejas artesanais percebeu a necessidade de expandir a produção. A estratégia foi optar pelo modo “cigano”, ou seja, utilizar a infraestrutura de outra cervejaria para fabricar suas bebidas, o que alavancou a comercialização de até 1500 litros mensais de cerveja.
A fábrica própria da marca com os maquinários especializados que facilitam obter a melhor qualidade possível dos produtos, economizando tempo e dinheiro, só foi conquistada, em 2022, por meio do financiamento da Fungetur - programa de crédito do Governo Federal que financia a aquisição de bens para empreendimentos turísticos -, como relatou Leonardo Milani, sócio da Siberian Beer. Hoje, a cervejaria compreende também sua própria plantação de nove variedades diferentes de lúpulo, ingrediente responsável pelas substâncias que conferem amargor e aroma à cerveja.
O processo cervejeiro da Siberian é receitado pela regra da pureza alemã, regulamentação estabelecida no século XVI, pelo Duque Guilherme IV, que obrigava que as cervejas fabricadas na Alemanha utilizassem somente três ingredientes: água, malte de cevada e lúpulos, proibindo o uso de outros ingredientes vencidos ou de pior qualidade na produção.
Todas as etapas deste processo devem ser muito bem controladas pelo mestre cervejeiro, a quais consistem na análise da água e do PH, na checagem do laudo do malte, no acompanhamento da fermentação, no controle da levedura e da mosturação, levando de 20 a 40 dias para a fabricação total, como explica Klaydu Camargo, sócio da Siberian Beer.
Honrando a cultura alemã, até mesmo a experiência do cliente torna-se pura: onde se planta e se produz, também se consome. Com o autosserviço de chopp que funciona através de um cartão de recarga que libera a torneira do tapp, o cliente tem autonomia para escolher a quantidade e a hora que deseja servir o copo. Essa também é uma vantagem para o empreendedor, pois reduz o desperdício do barril e aumenta o número de vendas.
Considerando que a região é majoritariamente agrária, o ambiente rural da Siberian Beer gera identificação com um público local. Danilo Canuto, que é natural de Brasília, mas estuda agronomia na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM-FW), comenta frequentar a cervejaria pelo menos uma vez na semana, pois lá ele se sente em casa, e o ambiente rural permite com que ele relaxe a cabeça enquanto assa carne com os amigos. Por outro lado, a Siberian Beer mostra-se eclética ao promover eventos que dão visibilidade a musicalidades mais alternativas como a eletrônica, o pagode e o rock, tornando diversos públicos em clientes fiéis que contribuem para o crescimento da marca. A exemplo, Enzo Kovaleski, estudante de ciências contábeis da Universidade Regional Integrada (URI-FW), tem preferências com o meio eletrônico e rock, e ao frequentar a cervejaria criou laços de amizade com os donos, conta. Para o aniversário de um ano da Siberian Beer, os sócios Leonardo Milani e Klaydu Camargo estão organizando uma feijoada ao som de uma roda de samba para comemorar com os clientes e atrair novos fregueses, durante o mês de junho.
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