Caso Bernardo: julgamento do réu Leandro Boldrini chega ao terceiro dia
Júri iniciou nesta quarta-feira com a última testemunha do MP e demais testemunhas arroladas pela defesa do pai da vítima
Publicado em 22/03/2023 às 15:27
Atualizado em 22/03/2023 às 15:43
Capa Caso Bernardo: julgamento do réu Leandro Boldrini chega ao terceiro dia

Foto de MPRS/Divulgação

O terceiro dia do julgamento de Leandro Boldrini, em Três Passos, nesta quarta-feira, 22, começou com o depoimento de Ariane Schmitt, psicóloga do menino Bernardo. Ela é a última testemunha arrolada pela acusação a ser ouvida. Na sequência, houve depoimento da testemunha arrolada pela defesa do réu, Luiz Omar Gomes Pinto, então marido da babá de Bernardo. Advogados de Leandro desistiram do testemunho, contudo, o Ministério Público (MP) discordou, e juíza manteve participação.

Para os promotores de Justiça Lúcia Helena Callegari e Miguel Germano Podanosche, Ariane deve apresentar aos jurados como era o ambiente familiar em que Bernardo vivia. A testemunha inicialmente foi questionada pelo promotor Miguel. Para a depoente, Bernardo sofria com a falta de cuidados da família, e se sentia um intruso em casa. A psicóloga Ariane pediu para depor sem a presença do réu (Leandro Boldrini, pai da vítima). 

Ariane Schmitt, psicóloga do menino assassinado aos 11 anos, relata desinteresse de Boldrini e da madrasta do menino, Graciele Ugulini, no acompanhamento das sessões de terapia: "Pouco entusiasmo, pouco tempo entre aspas", destaca a psicóloga.

Demais testemunhas

A segunda testemunha a depor foi Luiz Omar Gomes Pinto, o homem fazia serviços de manutenção ocasionais na casa para Leandro. A testemunha disse que Leandro Boldrini foi seu cirurgião em um procedimento médico. 

Ex-marido da babá de Bernardo conta que ela disse que sentia que o menino era deixado de lado. Isso era demonstrado, segundo ele, devido às roupas que Bernardo, bem como calçados, apesar do grande poder aquisitivo do pai, que era médico. O menino, no inverno, por exemplo, jogava bola de chinelo – ou até mesmo descalço. Também, não era incomum que ele fosse encontrado na rua "abandonado", segundo Luiz.

A defesa do réu também resolveu fazer questionamentos ao ex-marido da babá de Bernardo. Os advogados do réu realizaram perguntas a Luiz Omar até o intervalo do julgamento para o almoço. 

Segundo informações de Lucas Abati de GZH, são nove testemunhas a serem ouvidas antes do interrogatório de Boldrini. Conforme o andamento, as outras seis restantes podem ser ouvidas hoje e a sessão de amanhã começar com interrogatório do réu. 

Também há possibilidade de a defesa de Boldrini, segundo Abati, de dispensar alguma testemunha, como fez com Luís Omar, que fala a pedido do MP. Fim do júri depende dessas variáveis, mas projeção é de que se estenda até quinta à noite ou sexta. 

Boldrini também pode falar apenas aos advogados de defesa. No primeiro julgamento de 2019, ele não respondeu às perguntas do MP.

Na sequência, começou a depor a segunda testemunha arrolada pela defesa, trata-se da técnica de enfermagem, Marlise Cecília Renz, que trabalhava para o médico Leandro Boldrini. Marlise afirma que Leandro "nunca falou nada, nunca desdenhou" de Bernardo, e que pai "falava com carinho" do filho, em relação a resposta para a defesa de Boldrini. 

Júri

O réu começou a ser julgado na segunda-feira, 20 de março, no Fórum de Três Passos, por suspeita no envolvimento no assassinato do filho, Bernardo Uglione Boldrini. Além de homicídio quadruplamente qualificado (motivo torpe, motivo fútil, emprego de veneno e dissimulação), Boldrini responde também por ocultação de cadáver e falsidade ideológica. O júri, está sendo transmitido ao vivo pelo, ao vivo pelo Tribunal de Justiça RS, com retransmissão do Complexo Luz e Alegria. A Juíza de Direito Sucilene Engler Audino, titular da 1ª Vara Judicial local, preside os trabalhos.

Após as oitivas das testemunhas e o interrogatório do réu, se iniciarão os debates. MPRS e defesa terão 1 hora e 30minutos cada para se manifestarem. Réplica e tréplica, se houver, serão de 1 hora cada. O julgamento tem previsão de ser encerrado nesta quinta-feira, 23. 

Outras testemunhas

Nesta quarta-feira, 22, ainda deve ser ouvidas mais testemunhas da acusação. São no total mais quatro testemunhas sem incluir a psicóloga já ouvida. 

A previsão é de que o réu seja ouvido na quinta-feira, 23, pela manhã; O julgamento deve ser encerrado entre quinta e sexta-feira, 24. 

Segundo julgamento

Boldrini é acusado de ter sido o mentor intelectual da morte do filho Bernardo. O réu havia sido condenado, em 2019, a 33 anos e oito meses de prisão em regime fechado, mas a decisão foi anulada em 2021 — fazendo com que ele seja submetido a novo julgamento.

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