Foto de Alice Poltronieri Berlatto/Divulgação
A agricultora Alice Poltronieri Berlatto tem registrado uma praga muito comum em sua lavoura de hortaliças. Produzindo juntamente de sua família, alface e outros tipos de hortaliças para comercialização em Planalto-RS, os tripes, pequenos insetos herbívoros, tem se desenvolvido devido ao tempo seco e o calor. A praga tem se proliferado rapidamente.
De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), os tripes infestam diversas espécies de hortaliças e com a transmissão de Orthotospovirus, que provocam doenças (viroses), as perdas na produção podem chegar a até 100%.
Segundo Alice, o inseto ataca outras culturas também e é uma praga difícil de controlar. A agricultora de Planalto menciona que realiza o combate a essa praga com inseticidas orgânicos, e um inseticida que não é orgânico mais que é utilizado com a alface bem jovem, não prejudicando o consumo. No caso específico de um canteiro do cultivo das hortaliças, a praga acaba atacando e se proliferando na cultura pela não utilização do inseticida.
De acordo com o engenheiro agrônomo do escritório municipal de Frederico Westphalen da EMATER/RS, Jeferson Vidal Figueiredo, o tripes é a praga mais frequente em hortaliças e que causa grandes danos caso não for controlada.
Perdas
Sobre um indicativo de perdas, Alice menciona que apenas em um canteiro de alface, recentemente, cerca de 256 mudas de alface ficaram inapropriadas para o consumo devido ao mau desenvolvimento afetado pela tripes.
São cerca de R$1.600 de prejuízo com a não comercialização de hortaliças devido a infestação, sem mencionar o trabalho realizado pela família dos agricultores, insumos agrícolas e mão de obra, totalizando um custeio de cerca de R$500 em uma produção específica afetada pelo inseto.
Conforme a agricultora Alice, podem ter dois pés de hortaliças no mesmo canteiro em que uma tenha sido realizado o tratamento e outra não, a que não tenha sido aplicado o tratamento, a doença que a infestação da tripes causa na planta não possibilita o tratamento da mesma e ela acaba não se desenvolvendo da forma necessária. Com o tratamento, o inseto nem chega a contaminar a planta.
Tripes
Tripes (Thysanoptera) são insetos pequenos, de corpo estreito, apresentam dois pares de asas franjadas e aparelho bucal sugador formado por três estiletes (uma mandíbula e duas lacínias). De acordo com a Embrapa, a ataque direto dos tripes às hortaliças podem impedir o seu desenvolvimento, bem como a picada em si pode facilitar a entrada de agentes patogênicos, transmissores de doenças, especialmente viroses de plantas.
Os insetos adultos são pequenos, com no máximo 1 mm de comprimento. Possuem corpo alongado, de coloração amarelo-clara a marrom e asas franjadas. As fêmeas adultas colocam de 20 a 100 ovos nas partes mais macias da planta.
A proliferação dessa praga é favorecida por períodos quentes e secos, mas pode também surgir em condições de baixas temperaturas, associadas à estiagem. As chuvas reduzem as populações do tripes por ação mecânica (lavagem e afogamento dos indivíduos) e por garantir umidade favorável à atividade de microrganismos que causam doenças e matam estes insetos.
Em casos de ataques severos, ocorre o prateamento das folhas de hortaliças, caracterizada por áreas necróticas, esbranquiçadas, que posteriormente ficam retorcidas e podem secar completamente. Isto compromete o crescimento das plantas, assim como o tamanho e o peso, causando perdas de produção que podem chegar a 50%.
Estiagem
Segundo a Planaltense Alice, a estiagem também dificulta a produção das hortaliças, além de contribuir para o desenvolvimento da tripes, o calor excessivo e a falta de água afetam o desenvolvimento das plantas e, mais recursos são gastos com a agricultura.
– “Investimos cerca de 15 mil reais entre o final de 2022 e o início deste ano com a compra de caixas d’água para armazenamento da água da chuva, calhas nas casas, tanto para o gado leiteiro quanto para o cultivo das hortaliças. Apesar do investimento, houve pouca chuva e tivemos que ter o abastecimento através dos caminhões pipa da prefeitura e agora que voltou a chover, estamos conseguindo reservar a água, após tudo o que realizamos para resolver o problema da falta de água em relação a pouca chuva”, destacou Alice.
Controle
A Embrapa indica os inseticidas para o controle dos tripes. Para o controle recomenda-se a utilização, sempre que possível, do manejo integrado de pragas. O controle químico deve ser usado de maneira racional, pois o uso indiscriminado de produtos químicos favorece o aumento populacional das pragas.
Recomenda-se utilizar apenas produtos registrados para a cultura, nas dosagens recomendadas pelo fabricante.
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