Gerente regional da Emater/RS-Ascar de FW avalia a perda de produção das lavouras
Luciano Schwerz destacou o cenário da agricultura do RS tendo em vista a estiagem
Publicado em 07/02/2023 às 14:04
Atualizado em 07/02/2023 às 15:34
Capa Gerente regional da Emater/RS-Ascar de FW avalia a perda de produção das lavouras

Foto de Emater/Fotos de lavouras de Seberi-RS

O índice já é superior a 50% dos 497 municípios do Estado do Rio Grande do Sul que ou decretaram situação de emergência ou há registro de situação de perdas devido a estiagem em 2022/2023. São 254 municípios segundo a listagem da Defesa Civil do RS que se mobilizaram administrativamente em função da estiagem que assola o estado. 

O engenheiro agrônomo e gerente regional da Emater/RS-Ascar de FW, Luciano Schwerz, destaca que é um ano difícil para agricultura da nossa região e do Estado. “Muitos municípios já estão com decreto de situação de emergência encaminhado ou homologado. Na nossa região já são mais de 30 municípios que fizeram este encaminhamento e a preocupação é claro com o impacto econômico que isso traz, porque as lavouras já estão com um nível de comprometimento alto em relação ao potencial produtivo”, expõe Schwerz. 

Milho

– “A lavoura de milho que já é a área que vem sendo colhida, hoje temos um percentual já bem elevado de áreas colhidas na região. A colheita ainda continua principalmente nas regiões mais altas, já em direção a Palmeira das Missões, Sarandi, Ronda Alta.  Na cultura do milho, as perdas já são consolidadas em torno de 48% de quebra nessa safra”, informa o gerente da Emater.

Expectativa ‘quebrada’

–“Tínhamos uma expectativa inicial de uma média na região de 149 sacos de milho por hectare, essa média baseada na produção dos últimos cinco anos, mais um fator tecnológico e essa estiagem acabou comprometendo em torno de 48% dessa expectativa, nos trazendo para um patamar de 74 a 75 sacos de milho por hectare”, avaliou Luciano.

Milho silagem 

– “O milho silagem também acaba sofrendo, muito além da redução de 45% no volume de massa produzida, nós temos a perda da qualidade desse material, a palha fica mais seca, o processo de silagem fica mais difícil, a compactação na parte do silo fica mais difícil. Então, o produtor também poderá ainda sofrer com a perda da qualidade, aumentando o custo de produção para os bovinocultores de leite”, mencionou o engenheiro. 

Soja

– “A soja ocupa 420 mil hectares em toda a região. As perdas na soja são mais difíceis de serem mensuradas, porque nós tivemos um escalonamento muito grande das épocas de plantio, ainda tem soja sendo plantada na nossa região, soja de segunda safra, principalmente por produtores que colheram milho que ainda estão arriscando com a soja”, destacou sobre a soja, Luciano.
De acordo com o gerente da Emater, já se observa os prejuízos em relação a soja, o potencial tem se limitado em 15 a 17% da expectativa Inicial da colheita da safra. “Iniciamos o ano com uma expectativa de 58 sacos por hectare e nesse momento, em função da estiagem, a gente já prevê ao menos 49 sacos por hectare”, destacou Schwerz. 

Esperança

–“Estamos em um momento da formação das lavouras em relação ao potencial produtivo, tem muita lavoura ainda em fase de floração, de enchimento de grão, com a estiagem é muito mais difícil e essas perdas não são consolidadas. Se tiver uma mudança muito significativa no clima e as chuvas retornarem, se tem um fator de compensação. Você pode ter menos grão, mas você pode ter mais peso de grão, então na soja ainda nós estamos mais cautelosos quanto as perdas”, afirma Luciano. 

O gerente regional da Emater/RS-Ascar, Luciano Schwerz, expressa que espera por uma normalização na distribuição das chuvas no mês de fevereiro. Segundo Schwers, há a expectativa de uma chuva mais homogênea em todo o Estado na próxima semana (14,15/02), devido a passagem de uma frente fria mais organizada pelo RS.  

Resoluções

Uma comitiva do Executivo gaúcho iniciou uma série de agendas junto a órgãos federais para a articulação de ações de enfrentamento à estiagem no Rio Grande do Sul. O grupo é formado pelos secretários de Desenvolvimento Rural, Ronaldo Santini, e de Assistência Social, Beto Fantinel, pelo chefe da Casa Militar e coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Luciano Boeira, e pelo subchefe da Defesa Civil estadual, coronel Marcus Vinicius Gonçalves Oliveira.

Atualmente, 254 municípios declararam situação de emergência. Desses, 237 já têm Decreto de Situação de Emergência e 125 receberam a homologação por parte dos governos estadual e federal. 

Uma das buscas da comitiva é o da solicitação de alteração da Portaria Interministerial 1, de 25 de julho de 2012, do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional, para que o Rio Grande do Sul seja incluído em políticas públicas que ofertam ações complementares de apoio às atividades de distribuição de água potável às populações atingidas por estiagem e seca, hoje restritas ao semiárido nordestino e ao norte de Minas Gerais e do Espírito Santo.

A comitiva também busca investimentos na área de prevenção à estiagem e ações de resposta que garantam o acesso à água potável e segurança alimentar e nutricional para famílias em vulnerabilidade social, especialmente os povos e comunidades tradicionais.

FW

O vice-prefeito João Vendruscolo destaca alguns programas de incentivo do poder executivo municipal no combate a estiagem em Frederico Westphalen. “Nós temos alguns programas de incentivo para a silagem visando a produção rural. Mas hoje a gente vive um momento crítico, um momento de urgência de emergência. Tivemos a aprovação dos 12 micro açudes beneficiando 12 Produtores Rurais, que começam com a abertura desses açudes na próxima semana depois da abertura de crédito na Câmara de Vereadores, então nós estamos aptos a iniciar esse processo, fazendo políticas públicas para coletividade em virtude de demandas”, destacou Vendruscolo.

João destacou também que neste período com a estiagem, deve protocolar junto ao poder legislativo, em regime de urgência, uma proposta de um incentivo da prefeitura municipal aos agricultores para armazenamento da água da chuva. O vice-prefeito que comentou também sobre os inúmeros caminhões pipa que vão até o interior para realizar o abastecimento de água em propriedades rurais, em relação ao recurso que falta até para o consumo humano neste período do ano. 


 

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