A ocorrência de chuvas irregulares, mais concentradas nas regiões a Sul e a Leste do Estado, aliviou momentaneamente o estresse em lavouras beneficiadas. No entanto, na maior parte do território estadual, não houve precipitações ou elas foram insuficientes para reverter o quadro de estiagem. Em Frederico Westphalen e região, na semana passada, a precipitação de chuva diária não se confirmou, tendo em vista que a pouca quantidade de chuva registrada foi relativamente quantitativa a partir da sexta-feira, 3.
Boletim
O boletim integrado agrometeorológico da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação da semana passada, mostra a perspectiva a partir de dados técnicos das principais culturas e a questão da pastagem e rebanhos animais do Estado.
A área projetada de soja para a safra 2022/2023 é de 6.568.607 hectares. A produtividade estimada inicialmente é de 3.131 kg/ha. Os dias foram de muito calor, secos e com alta intensidade da radiação solar, ocasionando elevadas taxas de evapotranspiração, com picos de mais de 6 mm/dia, impactando negativamente nas lavouras em desenvolvimento (48%), em florescimento (35%), e em enchimento dos grãos (17%).
Nas lavouras mais afetadas, as plantas não recuperam a turgescência (processo de absorção da água da planta), no período da noite, e é possível observar folhas murchas nas primeiras horas da manhã, assim como a queda acentuada de flores. Nota-se, de maneira geral, que ocorre desfolha, concentrada no terço inferior, e pouca emissão de novas folhas.
Conforme amostragem realizada em 412 municípios no Estado, estima-se que a redução da produtividade de soja, na zona mais afetada, é pouco superior a 20%, como é o caso das regiões administrativas da Emater/RS-Ascar de Santa Maria e Santa Rosa. O decréscimo é estimado em cerca de 10% na cultura em Frederico Westphalen.
A área estimada de cultivo de milho para a safra 2022/2023 é de 831.786 hectares. A estimativa inicial de produtividade é 7.337 kg/ha. Houve prosseguimento na colheita, alcançando 35% da área plantada. A estiagem provocou o estiolamento dos colmos das plantas, que não se mantêm em pé, aumentando o número de plantas acamadas e de difícil recolhimento na operação de corte. Essa situação está contribuindo para a antecipação da colheita, mesmo de grãos com umidade acima do ideal, entre 25% e 28%.
Foi realizada nova avaliação produtividade em 463 municípios do Estado. A estimativa inicial de produtividade manteve-se na região administrativa de Bagé, Frederico Westphalen e Santa Maria, pouco superiores a 50%.
A área estimada de cultivo de milho silagem é de 365.467 hectares, e a produtividade esperada inicialmente é de 37.857 kg/ha. Houve prosseguimento na colheita, e as perdas causadas pela estiagem foram confirmadas na maior parte dos 434 municípios pesquisados. Os danos são maiores nas regiões administrativas de Santa Maria e Ijuí, com expectativa de redução entre 50% e 60% na produtividade. Nas de Frederico Westphalen e Pelotas, as perdas estimadas variam entre 40% e 45%.
A área projetada de feijão 1ª safra é de 30.561 hectares. A produtividade estimada inicialmente é de 1.701 kg/ha. Na maior área cultivada no Estado, localizada na região administrativa de Caxias do Sul, o desenvolvimento é normal, e a expectativa de produtividade inicial foi mantida. A quebra na produção se eleva nas regionais de Erechim, Frederico Westphalen e Ijuí, com perspectiva de redução entre 20% e 25%.
Devido à ocorrência de chuvas, mesmo em distribuição irregular, as pastagens responderam com maior oferta de quantidade de alimentos aos rebanhos bovinos e ovinos, que puderem manter ou, até mesmo, recuperar as condições sanitárias e o ganho de peso no Estado.
Já o calor forte tem causado grande estresse hídrico aos bovinos, que acabam preferindo realizar o pastejo nas primeiras horas da manhã e no final da tarde, buscando locais com sombras para passar as horas mais quentes do dia. Da mesma forma, a cobertura por touros tem se concentrado nos horários menos quentes do dia. Apesar das chuvas, há locais sem disponibilidade de forragens, e a maior parte das aguadas está reduzida ou inexistente. Em alguns locais, os animais precisam se deslocar por grandes distâncias para acessar as fontes de água, implicando em significativo gasto energético.
De acordo com o engenheiro agrônomo, Jeferson Vidal Figueiredo da EMATER/RS, como o ano de 2023 começou com chuvas, as pastagens da região estão melhores, ainda salientando que a pastagem precisa de umidade, sendo cerca de 35mm de chuva por semana (o ideal).
O técnico ainda é precavido quanto a afirmar se a estiagem afetou a produção leiteira da região. Segundo Jeferson, há todo ano, os dados que são destinados através da Secretaria de Agricultura, os quais são compilados e podem afirmar no âmbito mais geral, se houve perdas nesse sentido na produção de leite. Esses dados já foram solicitados e podem ser disponibilizados nos próximos dias pela pasta.
Previsão meteorológica
De 6 a 8 de fevereiro, o tempo deve ser seco e firme em praticamente todo o Estado. Nesta segunda semana do mês, há pequena chance de chuvas rápidas apenas na costa por causa da circulação da brisa marítima.
Publicado por
