Com número de casos de dengue acima da média, RS emite alerta epidemiológico
Regiões Norte e Noroeste do Estado estão entre os locais com maior risco de epidemia
Publicado em 25/01/2023 às 14:46
Atualizado em 25/01/2023 às 15:11
Capa Com número de casos de dengue acima da média, RS emite alerta epidemiológico

Foto de Arquivo LA+

Com o número de casos notificados de dengue acima do normal para a época, o Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs) emitiu na segunda-feira, 23, um comunicado de risco, recomendando aos municípios e à população que reforce os cuidados contra a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença.

De acordo com o diretor adjunto do Cevs, Marcelo Vallandro, foram notificados 202 casos nas primeiras três semanas de janeiro, 59% a mais do que o mesmo período em 2022. Das 30 regiões do Estado, 23 tiveram casos notificados acima do Limite Superior Endêmico (LSE) dos últimos anos. Até esta quarta-feira, 25, de acordo com o Painel de Casos de Dengue do RS, já foram notificados 372 casos no Estado, sendo 13 confirmados e 203 em investigação. 

– Semanalmente, fazemos a avaliação de como está o cenário. No início do ano, é comum ter aumento de casos de arboviroses, como dengue, zika e chikungunya. Em 2022 tivemos nosso pior ano epidêmico e em 2023 já começamos com casos acima do esperado, o que nos mantém alertas”, explicou Vallandro.

Devido à situação epidemiológica vivenciada no ano de 2022, o Estado do Rio Grande do Sul adotará a sistemática de emitir Comunicados de Risco semanais, contemplando as 30 Regiões de Saúde do Estado, levando em consideração os Diagramas de Controle de casos notificados de Dengue exceto os descartados, bem como dados ambientais e ocorrência de casos graves e óbitos, a fim de sinalizar as Regiões de Saúde com maior risco para epidemia de dengue, bem como as demais arboviroses.



Os comunicados semanais têm o objetivo de alertar os gestores municipais a intensificarem as ações de vigilância e controle do Aedes aegypti, aos profissionais de saúde quanto ao diagnóstico e atendimento em tempo oportuno dos portadores da doença e à população em geral quanto aos cuidados, como evitar o acúmulo de água e a contaminação de calhas e caixas d'água.

– Muitas pessoas acham que estes cuidados devem ser feitos uma vez por ano, mas o ideal é toda semana, ao longo do ano todo –, reforçou Vallandro. 

No último dia 18, a Secretaria da Saúde, com apoio da Federação das Associações de Municípios do RS (Famurs) e do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do RS (Cosems/RS), lançou ações de enfrentamento ao Aedes aegypti.

No evento, que teve a participação de 80 municípios, foram anunciadas estratégias como a implantação de sistemas de monitoramento e gestão de informações sobre as arboviroses, um canal permanente para troca de informações entre diferentes áreas técnicas e um novo sistema de monitoramento por meio de armadilhas para ovos (ovitrampas) para monitorar e detectar precocemente a presença e densidade do mosquito. A secretária da Saúde, Arita Bergmann, reforçou a importância da mobilização e das estratégias de enfrentamento ao Aedes. 

– A grande virada de página que precisamos fazer em relação ao controle do vetor, ao cuidado com as pessoas que têm dengue, ocorre na ampla rede formada pelos nossos municípios –, ressaltou a secretária. Arita reconheceu o esforço realizado pelas cidades gaúchas e a importância dos comunicados de riscos e do manejo clínico.



O Estado possui 91% do seu território infestado pelo vetor Aedes aegypti (454 de 497 municípios).  A região do Médio Alto Uruguai está entre as localidades com maior risco de epidemia de dengue.

Em Frederico Westphalen, até o momento, duas notificações foram enviadas ao Centro Estadual de Vigilância em Saúde (LACEN), mas com resultados negativos. As pessoas que apresentaram sintomas e que fizeram exames particulares, em laboratório, também apresentaram resultados negativos. De acordo com a coordenadora de endemias do município, Lidia Maria Pich Dalla Nora, algumas ações estão sendo realizadas para evitar que se repita o quadro apresentado no ano passado.

– Estamos realizando vistorias e fiscalizando denúncias para prevenção e combate à dengue no nosso município. Nesse mês de janeiro tivemos também o Levantamento Rápido de Índice de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa), e em breve divulgaremos como está o índice em relação ao criadouros do mosquito da dengue. Vale lembrar que o último índice no nosso município foi de médio risco. Também serão realizados mutirões no mês de fevereiro em alguns bairros do município –, ressaltou a coordenadora.

Lidia também reforça acerca das orientações à população quanto à importância de realizar vistorias nos pátios, bem como não deixar água parada e entulhos que possam servir de criadouros para o mosquito. “Estamos fiscalizando pontos estratégicos e aplicando inseticidas a cada 90 dias para evitar criadouros e focos de dengue. Esses locais estratégicos são borracharias, ferros-velhos, cemitérios, floriculturas e clubes”, disse.

Quem observar locais que podem servir de focos do mosquito pode fazer a denúncia por meio do telefone (55) 3744-3244 ou (55) 3744-4911.

2022 teve o pior ano epidêmico da história do RS
O ano de 2022 terminou com 66.779 casos de dengue confirmados no Rio Grande do Sul, com 66 mortes provocadas pela doença. Trata-se do pior ano epidêmico da história no Estado, considerando a série histórica de ocorrência desta arbovirose desde 2007, conforme dados do Sinan online no Painel de Casos de Dengue RS, com 27 municípios registrando óbitos e 123 com incidência acima de 300 casos para cada 100 mil habitantes. As maiores incidências foram nas regiões Metropolitana, Norte e Noroeste.

A Macrorregião com maior incidência de casos confirmados de arboviroses (Dengue, Chikungunya e Zika) em 2022 foi a Norte, com vinte e oito municípios apresentando taxa acima de 1.000 casos/100.000 habitantes. A Macrorregião com menor incidência foi a Sul, com nove municípios apresentando taxa entre 0 a 100 casos/100.000 habitantes, e o restante dos municípios desta Macrorregião não tiveram casos notificados.



O município de Frederico Westphalen esteve entre as regiões do Estado com situação mais crítica. Foram mais de 200 casos confirmados na cidade frederiquense, dos 454 casos notificados pelo município.

Casos de dengue em 2022 
Frederico Westphalen
Notificações: 454
Confirmados: 207

Rio Grande do Sul
Notificações: 99.511
Confirmados: 66.861

 

CASOS DE DENGUE NO RS EM 2022

CASOS DE DENGUE NO RS EM 2023

Ações de enfrentamento
Entre as ações da SES para o enfrentamento da dengue está a implantação de sistemas de monitoramento e gestão de informações sobre a doença, tanto em âmbito estadual quanto municipal.

No site da secretaria, constam informações sobre a circulação do Aedes aegypti, o registro de casos das doenças causadas pelo mosquito e hospitalizações relacionadas a elas, além de classificações de risco para cada município, que direcionam parâmetros assistenciais e quantidades necessárias de insumos, equipamentos e materiais em cada município.

Além disso, no site estão informações sobre a adequação e ampliação da estrutura laboratorial para o diagnóstico de casos suspeitos de dengue e identificação vetorial, com laboratórios em Pelotas, Santa Maria, Santo Ângelo, Santa Cruz do Sul, Ijuí, Caxias do Sul e Passo Fundo. A partir da vigilância genômica, é monitorada a circulação viral da dengue nas 30 regiões de Saúde.

Está planejada a implantação de um canal permanente sobre a dengue, que se constitui em um espaço de trocas entre diferentes áreas técnicas, composto por representantes estaduais e municipais, com o objetivo de construir coletivamente soluções e prestar apoio compartilhado.

Outra ação planejada pela SES é a intensificação da comunicação de risco em saúde de forma direta e transparente para a população, apresentando cenários de risco para a doença e infestação, entre outras estratégias. Também serão implantadas iniciativas para prevenção e combate ao Aedes nas escolas públicas e privadas do Rio Grande do Sul, além de educação permanente para preparação das equipes multiprofissionais nos serviços de saúde, como capacitações, webinários e videoaulas sobre manejo clínico e supervisão.

Há também, já em processo de implantação em diversos municípios gaúchos, um novo sistema de monitoramento por meio de armadilhas para ovos (ovitrampas) a fim de monitorar e detectar precocemente a presença e densidade de Aedes aegypti.

Quais os sintomas da dengue?
Febre alta, dor de cabeça, dores no corpo, dor atrás dos olhos, manchas vermelhas no corpo, vômitos, diarreia e náuseas.

O que fazer no surgimento de sintomas?

  • Procurar atendimento de saúde.
  • Evitar automedicação, mas se necessário medicar-se antes de procurar atendimento de saúde, optar pelos analgésicos simples: paracetamol e dipirona.
  • Não utilizar anti-inflamatórios (naproxeno, ibuprofeno, diclofenaco, piroxicam, nimesulida).

Medidas individuais de proteção:

  • Utilizar repelente para o corpo. Se você está com suspeita ou é um caso confirmado de dengue, assim você evita que os mosquitos sejam infectados e contaminem mais pessoas. Se você não tem a doença, você se protege dela;
  • Utilizar repelente de ambiente;
  • Utilizar roupa que proteja braços, pernas e pés;
  • Usar mosquiteiro, em especial em pessoas acamadas e/ou crianças;
  • Telar as portas e janelas das casas;

Como interromper o ciclo de vida do mosquito?    

  • Revisar a área em torno da residência ou local de trabalho uma vez por semana, procurando possíveis criadouros e eliminando-os;
  • Descartar adequadamente resíduos sólidos inservíveis que possam acumular água (potes, latas, garrafas, pneus, entre outros), destinando à coleta seletiva ou entregando em recicladoras;
  • Jogar fora na terra ou em superfície seca a água acumulada dos potes: não jogar a água em outro local com água, pois o ciclo de vida continuará;
  • Lavar com esponja, água e sabão, ao menos uma vez por semana, os potes que não podem ser colocados fora;
  • Preencher pratos de plantas com terra;
  • Garantir que caixas d’água ou cisternas de armazenamento estejam bem fechadas;
  • Cobrir possíveis saídas (ladrão) de caixas d’água ou cisternas com tela ou meia de nylon;
  • Telar portas e janelas das edificações;
  • Usar mosquiteiro, em especial em pessoas acamadas e/ou crianças;
  • Utilizar repelentes (individuais ou elétricos);
  • Eliminar mosquitos adultos (de dentro de casa ou entorno da residência) utilizando métodos domésticos (raquetes elétricas, inseticidas aerossóis para mosquitos, etc).

Recomendações gerais:
- Os municípios devem construir e aplicar o Plano de Contingência Municipal, espelhando-se no Plano de Contingência Estadual para Enfrentamento das Arboviroses Dengue, Zika e Chikungunya 2022/2023;
- O município deve manter consultas ao Plano de Contingência Estadual, bem como as ferramentas disponíveis nos painéis da SES para que possam avaliar em qual Nível de Alerta está situado para empreender esforços;
- As equipes que atuam na Atenção Primária à Saúde dos municípios, ao suspeitar de arboviroses, devem aplicar o Protocolo de manejo clínico e classificação de risco, evitando casos graves e óbitos;
- As equipes que atuam na Atenção Primária à Saúde devem informar oportunamente a Vigilância Epidemiológica Municipal (VEM) quando da suspeita de casos;
- A VEM deve informar oportunamente a Vigilância Ambiental Municipal (VAM) para que as medidas em relação ao vetor sejam adotadas tão logo da identificação do caso suspeito;
- A VEM deve realizar a notificação oportuna dos casos suspeitos em no máximo 72h, bem como o fechamento de casos no sistema, para oportunizar uma melhor avaliação do cenário epidemiológico dos municípios, regiões e do estado;
- Independentemente da situação da infestação do vetor e da ocorrência de casos de arboviroses nos municípios, é importante que a população continue seu papel fundamental de manter os cuidados de eliminação de criadouros e prevenção a arboviroses.

Chikungunya
Também tem causado preocupação o aumento de casos e mortes por chikungunya, doença também transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. Até 17 de dezembro, foram confirmados 93 óbitos por chikungunya no Brasil, quase sete vezes mais que as 14 mortes de todo ano de 2021. O país já registrou 172.082 casos prováveis, 78% a mais do que no mesmo período de 2021.

O Ministério da Saúde informou que monitora de forma constante a situação epidemiológica da dengue e das demais arboviroses no Brasil. A pasta destacou que investe em ações de combate ao mosquito de forma permanente, como a promoção de campanhas que ajudam a orientar a população sobre a prevenção da doença, distribuição de inseticidas e larvicidas aos Estados e municípios, bem como a realização periódica de reuniões com gestores para avaliação do cenário nacional e estratégias de combate.

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Almir Felin