Governo federal tenta resolver impasse em torno do reajuste do salário mínimo
Sindicalistas pedem piso de R$ 1.342 em 2023
Publicado em 18/01/2023 às 09:03
Capa Governo federal tenta resolver impasse em torno do reajuste do salário mínimo

Uma das principais propostas de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante as eleições do ano passado, o reajuste do salário mínimo acima da inflação segue em discussão entre lideranças do governo. Nesta quarta-feira (18), o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, entregará a Lula uma proposta feita por sindicalistas para criar uma nova regra de reajuste do piso. 

Atualmente, o salário mínimo está fixado em R$ 1.302. Este valor foi previsto em medida provisória editada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 12 de dezembro passado e representa uma alta real (acima da inflação) de 1,41%. Em 22 de dezembro, o Congresso Nacional aprovou o Orçamento com um mínimo de R$ 1.320, o que resultaria numa alta real de 2,81%.  

A proposta dos sindicalistas prevê recomposição inflacionária somada a um ganho real proporcional ao crescimento do PIB nos últimos dois anos.  Com isso, o piso deveria ser de R$ 1.342 (aumento real de 4,53%) em 2023. As centrais pressionam para que, pelo menos, prevaleça o valor de R$ 1.320 neste ano. 

Custos da Previdência 

O pedido dos sindicatos contraria o que vem defendendo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que justificou a manutenção do valor do piso com o argumento de que a medida impacta os custos da Previdência, uma vez que os benefícios estão atrelados ao salário mínimo. 

Questionado sobre o tema durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, nesta terça-feira (17), Haddad disse que o governo vai discutir um reajuste para os próximos quatro anos e que é preciso analisar a fila do INSS deixada pelo governo anterior.

— Este ano já tivemos um ganho real e estamos abrindo uma negociação com as centrais sindicais para definir um valor para os próximos quatro anos — sublinhou Haddad.

Cerca de 600 membros de centrais sindicais devem se reunir com Lula. A ideia do ministro Luiz Marinho é anunciar a criação de uma mesa de discussão do tema, da qual farão parte sindicalistas e integrantes do governo. 

Marinho também apresentará a Lula outros dois grupos de trabalho, que deverão ser abertos nesta quarta. O primeiro trata da regulamentação do trabalho via aplicativo, como os de transporte e de entrega, uma promessa de Lula na campanha. O segundo se concentrará na nova política de financiamento dos sindicatos. A ideia é que as categorias aprovem em convenção se querem contribuir ou não. 

Decisão política 

Em entrevista ao jornal O Globo, a ministra do Planejamento Simone Tebet disse que o pagamento de R$ 1.320 é uma decisão política e afirmou que “a equipe econômica nunca havia falado” sobre essa quantia. 

— Nós deixamos espaço fiscal para R$ 1.320. A questão é que até o fim do ano, milhares de pessoas que estavam na fila da aposentadoria absorveram esse espaço fiscal que se tinha. Por conta disso, hoje não temos espaço fiscal para R$ 1.320 — disse a ministra. 

Perda de isenção no IR 

Fontes do governo apontaram ao jornal Valor Econômico que o aumento do piso prejudicaria os contribuintes que hoje são isentos de pagar imposto de renda. A explicação é de que o reajuste do salário mínimo, sem a correção da tabela do IR, faz com que muitos trabalhadores sejam excluídos da faixa de isenção e passem a pagar imposto. Nestas condições, pela primeira vez, quem ganha 1,5 salário mínimo teria que pagar IR, tendo em vista que a tabela não é atualizada desde 2015. 

Segundo o Valor, Lula provavelmente anunciará o novo valor do salário mínimo no Dia do Trabalhador, 1º de Maio, uma data considerada simbólica para o presidente, que com isso ganharia tempo. Além disso, com o pagamento dos R$ 1.320 apenas nos últimos sete meses do ano, e não durante os 12 meses de 2023, o gasto para as contas públicas com salários, aposentadorias e pensões seria menor. 

 

*Fonte: GZH

Publicado por

Foto Andre Santos
Andre Santos
Fotos