Ao todo, 1.159 pessoas foram presas pela Polícia Federal (PF), após passarem pela audiência de custódia por participarem dos atos golpistas do último domingo, 8, em Brasília. Outros 684, que são idosos, pessoas com problemas de saúde, em situação de rua e pais ou mães acompanhadas de crianças que também foram detidos vão responder os processos em liberdade.
As 1843 pessoas estavam detidas na Academia Nacional de Polícia, em Brasília, no Distrito Federal. De acordo com a PF, os presos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal e, agora já seguem para o sistema prisional. A PF informou que durante a detenção todos receberam alimentação e atenção médica.
Todos os detidos foram identificados pela Polícia Federal e irão responder, na medida de suas responsabilidades, por crimes de terrorismo, associação criminosa, atentado contra o Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, perseguição, incitação ao crime, dentre outros.
Os procedimentos foram acompanhados pela Ordem dos Advogados do Brasil, Corpo de Bombeiros, Secretaria de Saúde do Distrito Federal, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e Defensoria Pública da União. A operação também contou com a participação do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Ministério Público Federal e outros órgãos.
Prisão
Segundo GZH, os presos por envolvimento nos atos de invasão e depredação de prédios públicos na Praça dos Três Poderes, começaram a ser levados para as celas. Tantos os homens enviados para o Centro de Detenção Provisória da Papuda quanto as mulheres encaminhadas para a mesma estrutura da Colmeia receberam, ao chegar nos presídios, um colchão enrolado para dormirem. Além disso, ganharam um uniforme e um kit de higiene contendo sabonete, creme dental e escova. No caso das mulheres, foi disponibilizado, ainda, absorventes.
As celas têm tamanhos diferentes. Por isso, cada uma recebeu um número diferente de detentos. Dentro de cada uma das celas há banheiro disponível. As camas são de concreto, sem qualquer tipo de artefato que possa ser retirado. Os presos bolsonaristas estão separados dos demais detentos.
Diariamente, eles passam a receber quatro alimentações por dia, incluindo café da manhã, almoço, café da tarde e jantar. As refeições são diferentes a cada dia e incluem itens como suco e achocolatados de caixinha.
Por razões de segurança, cada detento recebeu apenas o colchão para dormir, sem cobertores e travesseiros, peças que podem ser usadas para atos de violência.
Ao chegarem na prisão, os indivíduos passaram ainda por um processo de triagem médica. Uma força-tarefa foi montada para fazer exames nas pessoas, vaciná-las, nos casos de necessidade, e tomar nota daquelas que têm algum tipo de comorbidade ou tomam algum medicamento regulado. Todos terão direito a tomar banho de sol uma vez por dia.
Audiência
A próxima fase da detenção é a tomada de audiências com cada detento. Esse trabalho será feito de forma virtual, reunindo, em casa sessão, um juiz, um promotor, um advogado de defesa e o acusado. As sessões desse tipo costumam levar cerca de 20 a 30 minutos.
A expectativa é de que cerca de 30 juízes atuem nas sessões, como forma de acelerar os depoimentos. Os detentos darão seus depoimentos em ambientes da prisão conhecidos como parlatórios. Esses locais, que possuem computador com câmeras e acesso à internet, foram preparados para funcionar durante a pandemia da covid-19, devido à necessidade de isolamento físico, e agora vão auxiliar a agilizar as audiências, dado o grande volume de pessoas a serem ouvidas. Os números de prisões ultrapassavam 700 pessoas até a tarde desta quarta-feira, 11, conforme a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAPE) do Distrito Federal, mas estão crescendo a todo momento.
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