Região do Norte gaúcho conquista primeira Indicação Geográfica para a erva-mate no Estado
Machadinho sediou nesta quinta a abertura oficial da colheita da erva-mate safra 2026 no Rio Grande do Sul
Publicado em 28/05/2026 às 17:00
Capa Região do Norte gaúcho conquista primeira Indicação Geográfica para a erva-mate no Estado

O Rio Grande do Sul alcançou um marco inédito para o setor ervateiro com a concessão do primeiro registro de Indicação Geográfica para a erva-mate, outorgado para o município de Machadinho, localizado na região Norte do Estado. Para celebrar a conquista institucional, a municipalidade realizou o lançamento oficial de um novo produto comercial portando o selo de certificação nesta quinta-feira, 28, data que também marcou a solenidade de abertura da colheita do produto na região.

O Polo Ervateiro do Nordeste Gaúcho, na região de Machadinho, sediou nesta quinta a abertura oficial da colheita da erva-mate safra 2026 no Rio Grande do Sul. O evento reuniu representantes dos cinco polos ervateiros do Estado, além de lideranças locais, regionais e estaduais, produtores, instituições e entidades ligadas ao setor.

A delimitação territorial amparada pela nova certificação geográfica engloba um complexo de dez municípios da redondeza, consolidando a força produtiva de um dos principais polos ervateiros gaúchos. A atividade agrícola local mobiliza aproximadamente 520 produtores integrados, que mantêm um rendimento produtivo médio estimado em cerca de 1,3 mil arrobas por hectare cultivado.

O deferimento do registro pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial levou em consideração fatores como a presença histórica do vegetal na região, os diferenciais de solo e clima e o papel econômico fundamental do cultivo no processo de colonização e desenvolvimento socioeconômico daquela área.

Critérios de qualidade e perspectivas de expansão mercadológica

O diferencial de sabor e a identidade da erva-mate local estão diretamente associados ao uso em larga escala de uma variedade vegetal específica registrada junto ao Ministério da Agricultura, denominada Cambona 4. O selo de Indicação Geográfica atua como uma ferramenta de propriedade intelectual que atesta publicamente que as qualidades sensoriais e os atributos físicos da mercadoria derivam de maneira exclusiva de sua procedência geográfica, do ecossistema natural e dos métodos tradicionais de manejo e processamento desenvolvidos pelas comunidades locais.

A expectativa das lideranças do setor e das cooperativas regionais é de que a chancela oficial promova um incremento substancial na competitividade do produto no cenário nacional e internacional, abrindo canais inéditos de comercialização e agregando valor financeiro à matéria-prima.

Para que as propriedades rurais tenham o direito de estampar o selo em suas embalagens, os agricultores precisam cumprir exigências técnicas rigorosas, que englobam o georreferenciamento exato das lavouras e a aplicação estrita de boas práticas agrícolas de fabricação. Até o presente momento, um grupo inicial composto por 18 produtores rurais da região já concluiu as etapas de adequação e encontra-se devidamente autorizado a utilizar o selo de origem.

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