Treino de hipertrofia x treino de força e potência específico para o esporte
Artigo de Pedro Francke
Publicado em 09/02/2026 às 13:21h
Capa Treino de hipertrofia x treino de força e potência específico para o esporte

O treinamento de força e potência específico para o esporte, no caso o futebol e futsal deve desenvolver estas capacidades, mas sem gerar uma fadiga que vai atrapalhar a sequencia do treino diário ou do volume de treino semanal. Isso é algo obvio falando assim, mas será que todos os treinos buscam isso, ou ainda, será que alguns treinos não são prejudicais na busca desses objetivos?

Caso alguém olhe uma para uma programação semanal de uma equipe, pode estar descrito em tal dia um treino de força e/ou potência, isso é um treino específico e com o objetivo principal destas valências físicas. Mas o treinamento não é indivisível, mesmos os trabalhos técnicos e táticos trabalham isso de forma indireta em todos os treinamentos, treinar confrontos individuais e coletivos, finalizações, passes, sprints exigem muito destas capacidades. Por isso que precisamos de muita atenção de como são trabalhadas as capacidades diariamente e no tempo de recuperação ideal.

Ai entra numa situação enraizada que é treinar na academia para o futebol de forma semelhante a que se trabalha hipertrofia (aumento da massa muscular), esta forma de treinamento trabalha um volume grande dos grupos musculares gerando muita fadiga. Esse é um erro metodológico muito prejudicial, mas muitos profissionais e jogadores acreditam que o treino só dará resultado se for feito assim, pois sentem os músculos mais trabalhados pela fadiga e inchaço local. A hipertrofia (aumento muscular) tem efeito gerando fadiga muscular e de volumes altos de trabalho nos grupos musculares, o que não é o mais ideal para o esporte.

Treinar pensando num treino de hipertrofia possui objetivos diferentes na essência e nos resultados para quem joga. Exemplificando, um treino de hipertrofia com 4 séries de 12 repetições máximas (número que se consegue executar sem falhar ou submáximas que são próximas a falha muscular), ou seja, leva a musculatura a um desgaste grande, se recupera e realiza outra série, contabilizando as 4 séries e finalizando 48 repetições de um exercício, mas para hipertrofia também se trabalha vários exercícios para o mesmo grupo muscular gerando o volume maior.

Isso estressa a musculatura onde a recuperação completa demora geralmente 48/72 horas, mas no mesmo dia o jogador deverá treinar e vai exigir desta musculatura fadigada. O trabalho voltado para o desempenho esportivo exige outra forma de trabalho. Precisa estímulos de qualidade, mas sem gerar grande fadiga e assim podendo realizar os treinamentos posteriores com mais qualidade e também complementando o treino mais específico de força e potência. Treinar com a musculatura fadigada vai diminuir a capacidade de resposta no treino, além de aumentar o risco de lesão.

Agora, pensando de um treino mais específico para o esporte, vamos montar um treino realizando 4 séries de 6 repetições onde, com a mesma carga poderia ser feito  12/15 repetições máximas ou submáximas, onde não geraria tanta fadiga e ainda teria o tempo de recuperação entre as séries e, nesse exemplo realizando ao total 24 repetições, volume muito menor que na hipertrofia, e realizando menos exercícios para o mesmo grupo muscular numa sessão de treino. A execução das repetições e séries vai ser de melhor qualidade, com estímulos muito melhores por não ser feito com tanta fadiga.

Outro fator importante é que no treino de hipertrofia trabalha o músculo ou grupamento muscular de uma forma mais isolada, assim exigindo mais deles. Para o esporte pode-se trabalhar também alguns exercícios isolados sem problemas, mas precisamos trabalhar exercícios que melhorem os padrões de movimento, ou seja, fortalecer as musculaturas para permitir que se realizem gestos específicos do jogador, nos treinos e jogos.

Assim o conhecimento científico, que através de muitas pesquisas e estudos vão desmistificando aspectos culturas enraizados no treinamento esportivo, mas, mesmo assim estes aspectos culturais são difíceis de quebrar quando um atleta passou a vida inteira realizando de outra forma. Isso realmente se quebra quando se aplica e consegue demonstrar resultados melhores desta forma do que de formas mais tradicionais, que não são erradas, mas talvez não se apliquem a muitas realidades diferentes.

Finalizando, o treino para o esporte serve para estruturar o corpo do jogador para o esporte competitivo e exigente, não é o objetivo principal um aumento de massa muscular como na hipertrofia. Mas se consegue esse aumento também, porém não nos mesmos níveis que um treino hipertrófico.  Se realmente uma grande massa muscular fosse fundamental para a prática esportiva, não teríamos fisiculturistas com lesões musculares ao praticar futebol, pois não falta força e nem volume muscular para eles e sim força para realizar os gestos específicos para o esporte praticado, por isso lesionam.

Grande Abraço!!!!