A Copa São Paulo de Futebol Júnior ou Copinha é a maior competição mundial da categoria, o início do ano do futebol nacional começa com os olhos voltados para ela. Ao todo 128 clubes disputam o título em 255 partidas, então, quem trabalha com futebol, certamente está acompanhando “in loco” ou pelas redes sociais (onde é possível acompanhar todas as partidas).
Já participei de outras grandes competições nacionais, algumas que até gosto mais da disputa (mais jogos na primeira fase, regulamento...), mas é impossível não falar que a atmosfera da Copinha é diferente, sua visibilidade, intensidade e tamanho, a transformam nessa competição gigantesca.
Uma atmosfera fantástica, as cidades-sedes respiram a competição, um suporte atuante para valorizar o espetáculo, todos os clubes buscando os mesmos objetivos, porém com estruturas e experiências diferentes. Neste contexto apareceu o REAL SC, clube sediado em Tramandaí - RS, um pequeninho no meio de gigantes, será?
O Real é um clube-empresa familiar, voltado para a formação de atletas e que já está realizando um trabalho concreto a mais de vinte anos. Neste ano participou da Divisão de Acesso com sua equipe profissional, sendo rebaixado. Mas o trabalho na base é o grande foco no momento, já são experientes na formação de jogadores que se destacaram num alto nível nacional e mundial, sendo que recentemente um de seus jogadores formado na base transferiu-se do Botafogo-RJ para o Palmeiras -SP , o Marlon Freitas.
O clube garantiu a vaga para a Copinha no campo, sendo a terceira equipe no Gauchão Sub-20, superando equipes com estruturas maiores e assim sendo uma das quatro equipes gaúchas convidadas pra essa disputa (Grêmio, Inter, Juventude e Real). Por isso, dentre tantas equipes formadoras e clubes de tradição gaúchos, o Real foi selecionado, sendo um dos 22 clubes estreantes na competição.
Entrei nesse processo, de uma forma interessante, há muitos anos, tenho uma relação de amizade e respeito com a família proprietária e sempre houve o interesse de ambos os lados para que eu participasse do projeto. Então a oportunidade encontrou o momento certo, e pude confirmar algo que já havia falado muito tempo atrás, que em algum momento estaria presente neste projeto.
Assim, além de cumprir uma palavra antiga pude participar deste momento histórico, disputando a maior competição nacional da categoria. Apesar do pouco tempo a frente da preparação física (dezembro e janeiro), fizemos um trabalho que considero de excelência tanto dentro como fora de campo. Um planejamento físico para aumentar os níveis de força e potência dos jogadores e melhorar resistência específica para auxiliar na recuperação destes entre as partidas, ainda buscando potencializar os objetivos e modelo de jogo do treinador, que fez um grande trabalho.
Fomos então para Embú das Artes (sede do grupo 26) juntamente com o Ituano-SP (time formador, de uma estrutura fantástica e jogadores qualificados), Ivinhema-MS (teoricamente um clube do Matogrosso de Sul, mas que realizou uma parceria com um clube paulista com várias disputas na Copinha, tendo até disputado em 2025 e jogadores que jogaram a copinha pela equipe paulista defenderam agora os sul-mato-grossenses e o Referência - SP (clube da cidade-sede, uma equipe formadora muito forte em São Paulo e com uma estrutura física e humana muito boa também).
Grupo extremamente forte e equilibrado, isso se prova quando todos os jogos do grupo foram parelhos e competitivos, o Ituano que considero a maior estrutura e material humano, ganhou todos os jogos, mas nenhum fácil. Na nossa estreia contra eles, nós começando abaixo o jogo, ele não se desenhou para um placar de 3x0, tomamos dois gols na vontade de buscar o resultado nos dez minutos finais, faltou mais maturidade do que qualidade.
Na segunda partida contra o Ivinhema, um empate nos deixaria vivos e no último minuto do jogo um pênalti não marcado tirou a chance de isso acontecer e perdemos por 2x1. No último jogo (já sem chances de classificação) fizemos nossa melhor partida, onde, até a expulsão de um jogador nosso o placar estava 1x1 tirando a equipe da casa da competição, após isso desequilibrou e perdemos pelo placar de 3x1.
Fomos os estreantes na competição os jogadores sentiram isso e foram evoluindo no decorrer, começamos uma grande corrida atrás dos outros e isso serve de aprendizado, sobre os erros de arbitragem nessa competição ocorreram e vão seguir ocorrendo até a final, alguns muito grotescos e sofremos em com isso também, mas faz parte do futebol.
Foi uma experiência que exigiu muita entrega e intensidade em tudo, além de uma postura como equipe que nos destacou até mesmo na cidade. Acredito que esse momento histórico foi um novo patamar para o clube, um degrau muito alto e que o clube precisa seguir. O único sentimento contraditório que eu possuo é o fato de ter participado de processo tardiamente, tenho certeza que um pouco mais de tempo de trabalho fariam os resultados serem melhores e maiores, mas foi o possível.
Sobre ser pequeninho no meio de gigantes, o Real buscou no campo a vaga, se qualificou jogando e sendo inferior apenas ao Inter e ao Grêmio no Gauchão sub-20. Não pediu nada para ninguém, foi, jogou e provou sua grandeza na maior competição da categoria e é onde deve estar. Está caminhando passos concretos para o seu fortalecimento no futebol gaúcho, não se espantem se começarem a escutar mais coisas sobre esse clube tão querido e respeitado.
Vamos Real, isso foi só o começo. Grande abraço!!!!
