Maria é Mãe de Deus precisamente porque Jesus Cristo, seu Filho, é Deus.
Ela não deu à luz uma natureza ou mesmo duas; deu à luz uma Pessoa divina. Negar essa verdade essencial da fé, como declarou o Concílio de Éfeso (431), equivale a separar-se da plena comunhão com Cristo e a Igreja. O primeiro dos muitos anátemas aceitos pelo Concílio decretava o seguinte: “Se alguém não confessar que o Emanuel é Deus no sentido verdadeiro e que, portanto, a santa Virgem é deípara (pois gerou segundo a carne o Verbo que é de Deus e veio a ser carne), seja anátema” (Cân. 1).
“Nossa Senhora e o Menino”, por Corrado Giaquinto.
Observe-se que, na definição, o Concílio alude à profecia de Is 7, 14, texto que profetizara, mais de 700 anos antes do nascimento de Cristo, que o Messias nasceria de mulher, mas seria Deus conosco.
O verdadeiro problema em negar que Maria é Mãe de Deus e afirmar que ela é apenas mãe do homem Jesus Cristo é que, ao fazê-lo, invariavelmente negamos a divindade de Cristo (como o fizeram os arianos no séc. IV) ou acreditamos que há duas pessoas em Cristo. Os dois erros são heréticos.
Os Concílios de Éfeso e Calcedônia (433) enfrentaram a heresia do nestorianismo. Ao invés de ensinar a verdade de que Cristo é uma Pessoa divina em duas naturezas — humana e divina, unidas hipostaticamente sem mistura na única Pessoa divina de Cristo —, o nestorianismo, ao menos em uma de suas versões, ensinava que Cristo são duas pessoas, unidas por união meramente moral.
Os Padres conciliares entenderam que os cristãos jamais poderiam afirmar tal coisa. A Bíblia nos diz: “Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 2, 9); “nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis” (Cl 1, 16). Em momento algum se diz “neles”, apenas “nele”. O erro implica Cristos essencialmente diferentes. Jesus é verdadeiramente uma só Pessoa divina. Se alguém reza a um Jesus que sejam duas pessoas, reza a um “Jesus” que não existe.
E que dizer da terceira objeção? “Se Deus é Trindade, e Maria é mãe de Deus, Maria não seria então mãe da Trindade?” Na verdade, não.
O Catecismo é claro ao afirmar (n. 495) que Maria é Mãe da segunda Pessoa da Santíssima Trindade porque nem o Pai nem o Espírito Santo se encarnaram. Simples assim.
