O que o milagre extraordinário de Jesus caminhando sobre as águas ensina a nós hoje? O que o vacilar de Pedro mostra à Igreja, que enfrenta uma de suas grandes crises? Qual deve ser nossa atitude espiritual diante de tudo o que está acontecendo?
No Evangelho de hoje, há uma verdadeira lição para nós, que temos momentos de crise na vida pessoal; a própria Igreja passa por momentos de tormento, e Nosso Senhor quer nos iluminar para que, nos momentos de trevas e de noite escura, nós tenhamos a luz da fé, que realmente nos esclarece e torna firmes.
Então, o que Jesus nos está ensinando? A primeira coisa é notar que tanto o evangelho de Mateus como o de Marcos atestam que Jesus subiu a montanha para rezar e manda ao barquinho os seus Apóstolos. Ou seja, Ele os manda a um ambiente absolutamente inóspito, que é o mar, como ovelhas no meio dos lobos.
O mar, na Bíblia, é sempre considerado um símbolo do mal e da maldade por causa da soberba de suas ondas e por ser um ambiente inseguro — digamos assim, agressivo —, perigoso. Não só isso: Ele os embarca — coloca-os na barca da Igreja — e lança o barco ao mar, mas o lança à noite.
Entre tantos horários que Jesus podia escolher para atravessar o mar, por que escolher a noite? E, ainda por cima, largar os Apóstolos sozinhos. Jesus põe os Apóstolos de noite no barco e vai rezar. Além disso, as condições meteorológicas também não eram as mais favoráveis, pois “o vento era contrário”. É um cenário bem desfavorável; tudo está contra eles: o mar, a noite e o vento.
Mas, a primeira lição deste Evangelho é de que, quando vivemos momentos de crise, seja pessoal, seja numa fase da história da Igreja — porque a Igreja já viveu inúmeros momentos de crise —, temos uma certeza consoladora: é a certeza de que Jesus está no monte intercedendo por nós. Ele está no santuário celeste “ad interpellandum pro nobis” como sumo e eterno sacerdote, como diz a Carta aos Hebreus, intercedendo por nós.
Não é consolador saber disso? O evangelho de São Lucas narra um diálogo entre Jesus e São Pedro — o mesmo Pedro que hoje afunda nas águas. Jesus diz: “Pedro, Satanás pediu para te peneirar como trigo; eu, porém, rezei por ti. Tu, quando voltares, confirma os teus irmãos”. Para ficar mais claro, poderíamos acrescentar: “confirma na fé os teus irmãos”. É muito interessante que Jesus tenha dito: “Eu rezei por ti”. Quando olhou para o rosto de Pedro dizendo: “Eu rezei por ti”, Ele estava pensando em você, estava pensando em cada um de nós. Quando disse a Pedro: “Satanás pediu para te peneirar como o trigo; eu, porém, rezei por ti”, ele estava falando a nós hoje.
Coloque o seu nome no lugar do nome de Pedro e saiba que Jesus rezou por você. Ele está rezando por você, para que resista no momento da provação e do desafio, que é exatamente o que os Apóstolos estão vivendo na travessia do mar.
Pois bem, o mar da história é um mar inóspito, que não nos dá muitas garantias, e no entanto, sabemos que Jesus reza por nós. No momento mais dramático, de mais dificuldade, por volta das três da manhã, quando as trevas são mais espessas e o vento é contrário, Jesus aparece.
Eis a lição que precisamos aprender neste domingo. No meio dos sofrimentos, Ele está conosco: i) Ele é uma presença providente; ii) Ele intercede por nós; iii) e, portanto, creiamos na sua Palavra. Mesmo que a nossa fé não seja grande o suficiente, sejamos capazes de dizer: “Senhor, salva-me. Aumentai a minha fé
