Prezados leitores deste nosso prestigiado jornal, como é de conhecimento de todos, no mês de setembro de cada ano os Gaúchos comemoram a revolução Farroupilha, considerado o maior conflito armado ocorrido em território brasileiro entre os anos de 1835 a 1845. Esta revolução teve uma participação fundamental de um grupo de pessoas que, na época, jamais imaginariam que seriam tão importantes no conflito, tanto no desenrolar quanto na conclusão. São os lanceiros negros, agrupamento do exército farroupilha formado por escravos convocados para lutar ao lado dos revoltosos, tendo desempenhado um importante papel durante os 10 anos da Revolução Farroupilha. Dada a essa contribuição tão marcante, trouxemos aqui e nas próximas colunas alguns destaques dessa contribuição.
Na madrugada do dia 14 de novembro de 1844, Chico Pedro – o “Moringue” – caiu sobre as tropas farroupilhas “desprevenidas”, procurando aniquilar principalmente a infantaria negra desarmada por Canabarro. Este e Vicente da Fontoura escapam incólumes: Um esquadrão de 40 homens [...] cai de chofre sobre o exército desprevenido [...] Correm os soldados de todos os pontos, atônitos e assombrados, enquanto embalde procuram alguns oficiais organizar as fileiras. – É o Moringue! É o Moringue! É o grito de todas as bocas. A onda humana, que se espalhou em várias direções, tentava ganhar distância para se refazer [...] Mas eis que a onda se despedaça de encontro a uma barreira inesperada. É o próprio Chico Pedro que, emboscado com o grosso de suas forças, esperava o resultado do ataque para surgir pela frente dos que fogem. A situação é terrível. Os farrapos, passado o primeiro momento de estupor, cobram ânimo e dispõem-se a morrer lutando.
Teixeira, o bravo dos bravos, cujo denodo assombrou um dia ao próprio Garibaldi, reúne os seus lanceiros, o 4º regimento de linha e alguns esquadrões afrouxam, mas os imperiais se multiplicam, surgem de todos os pontos. Segunda carga, mais impetuosa, mais desesperada, é também repelida. É este o sinal da debandada geral. [...] Apenas alguns grupos mantém-se resistindo e neles o combate se trava a arma branca. Tombam os lanceiros negros de Teixeira, brigando um contra vinte, num esforço incomparável de heroísmo [...] é uma carnificina sem nome, um desbarato completo. Um pouco mais e toda resistência se abate. (CAGGIANI, 1992, pp. 137-138). (....).
