Tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos impacta setor do tabaco no RS
Produção gaúcha inicia colheita com boas expectativas de safra, mas taxação americana ameaça realocação de 12 mil toneladas e impacta o principal mercado do tabaco tipo burley
Publicado em 11/11/2025 às 07:55
Atualizado em 11/11/2025 às 07:58
Capa Tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos impacta setor do tabaco no RS

Foto de LA+

Enquanto produtores do Rio Grande do Sul iniciam a colheita do tabaco com otimismo para a safra de 2025, o setor enfrenta um significativo desafio no cenário internacional: a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A medida afeta diretamente um dos principais mercados do tabaco gaúcho, gerando alerta entre agricultores e a indústria.

O Rio Grande do Sul é um pilar da produção nacional, respondendo por 303 mil das 719 mil toneladas produzidas no país no último ano, o equivalente a 42% do total brasileiro. A expectativa é repetir esses números em 2025, graças ao clima favorável.

O cenário internacional é motivo de grande preocupação. Em 2024, os Estados Unidos foram o terceiro maior comprador do tabaco gaúcho, adquirindo cerca de 38 mil toneladas e movimentando mais de 245 milhões de dólares.

Apesar de cerca de 70% do tabaco destinado ao país já ter sido embarcado antes da entrada em vigor do "tarifaço", a nova taxação já suspendeu parte dos embarques. Cerca de 12 mil toneladas já vendidas não chegaram a sair das indústrias, representando um volume represado que precisa ser realocado.

O presidente do Sinditabaco, Valmor Thesing, afirmou que, se a tarifa for mantida, o desafio das empresas associadas será realocar esses volumes em outros mercados. Embora algumas remessas tenham sido retomadas recentemente, elas representam apenas uma pequena fração do que está parado.

Risco para preços e para o tabaco burley

Há um receio generalizado de que a persistência da medida afete os preços pagos aos produtores. Marcílio Drescher, presidente da Afubra, destacou que o tabaco do tipo burley — muito consumido pelos norte-americanos e conhecido como "tabaco de galpão" — pode ser o mais prejudicado pela taxação.

Na metade Sul do estado, a situação é particularmente sensível, com mais de cinco mil famílias em municípios como Canguçu que dependem diretamente da produção de fumo.

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Almir Felin