Foto de Reprodução/TJRS Twitter
O terceiro dia do julgamento de Leandro Boldrini, em Três Passos, nesta quarta-feira, 22, começa com o depoimento de Ariane Schmitt, psicóloga do menino Bernardo. Ela é a última testemunha arrolada pela acusação a ser ouvida.
Para os promotores de Justiça Lúcia Helena Callegari e Miguel Germano Podanosche, Ariane deve apresentar aos jurados como era o ambiente familiar em que Bernardo vivia.
A testemunha inicialmente foi questionada pelo promotor Miguel. Para a depoente, Bernardo sofria com a falta de cuidados da família, e se sentia um intruso em casa. A psicóloga Ariane pediu para depor sem a presença do réu (Leandro Boldrini, pai da vítima).
Ariane Schmitt, psicóloga do menino assassinado aos 11 anos, relata desinteresse de Boldrini e da madrasta do menino, Graciele Ugulini, no acompanhamento das sessões de terapia: "Pouco entusiasmo, pouco tempo entre aspas", destaca a psicóloga.
– “Órfão de uma família ausente. Isso é mais triste do que uma perda”, diz a psicóloga, Ariane Schmitt, em resposta ao MPRS, afirmando que o menino era “órfão de pai vivo”. A testemunha diz que higiene de Bernardo era precária. "Corrimento nasal, secreção dos olhos, cabelinho despenteado, aparelho no dente mal escovado", pontuou Ariane.
Psicóloga diz que menino foi encaminhado para atendimento pela escola. Testemunha diz que família demonstrava desinteresse na situação. "Percebia a falta de envolvimento, o desinteresse", relata Ariane Schmitt.
A profissional que atendeu Bernardo em 2011 diz que família deveria estar presente, principalmente após morte da mãe do menino. "Teria que haver um trabalho de resgate, até de história dessa criança, o vínculo amoroso", afirma Ariane.
– "É chocante essa diferença entre um bom profissional e um pai omisso", afirma psicóloga sobre postura de Leandro Boldrini como médico e como pai. Testemunha diz que Leandro Boldrini "entrou nesse jogo de rejeitar" Bernardo em razão de postura de Graciele.
Bernardo
Psicóloga conta que Bernardo relatou a ela que tomava remédios controlados e que ele próprio "administrava" as doses indicadas por um médico, sem observação do pai e da madrasta. "Ele compareceu a algumas sessões muito dopado, muito grogue", afirma psicóloga Ariane Schmitt.
Envolvimento familiar
Respondendo a questionamentos da promotora Lúcia Helena Callegari, a psicóloga Ariane Schmitt, diz que não se fotografa filho em situação de birra, a não ser que seja em caso terapêutico. Ela relata isso em relação aos vídeos e áudios que constam nos autos do processo em que Leandro Boldrini gravava o menino em situações que Bernardo se mostrava muito incomodado com a situação.
A Psicóloga Ariane Schmitt diz que Bernardo nunca se queixou de agressões físicas, mas diz que pessoas vítimas de abuso mantém eventuais episódios de violência em segredo. “O abandono e abuso infantil é um segredo de família como o alcoolismo e as drogas. A criança pensa ‘eu sou ruim, eu mereço ser tratado assim’, pensa que é a única que está sofrendo aquele tipo de abuso”, enfatiza a psicóloga.
Júri
Segundo a juíza, Sucilene Engler Audino, a defesa desistiu do depoimento de uma das 10 testemunhas designadas para o júri. Após a oitiva da psicóloga, começam a ser ouvidas as quatro testemunhas arroladas pela defesa. Em seguida, está previsto o interrogatório do réu e os debates.
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