Caso Bernardo: segundo dia do júri em Três Passos
O réu Leandro Boldrini deixou de participar da sessão em plenário
Publicado em 21/03/2023 às 15:24
Atualizado em 21/03/2023 às 16:21
Capa Caso Bernardo: segundo dia do júri em Três Passos

Foto de Márcio Daudt - DICOM/TJRS

Após a primeira testemunha ser ouvida ontem no júri em Três Passos, (Caroline Bamberg Machado, delegada que participou das investigações da morte de Bernardo Uglione Boldrini em 2014), o julgamento de Leandro Boldrini voltou pelo segundo dia na Comarca do Fórum trespassense. O julgamento voltou a ocorrer por volta das 8h40 nesta terça-feira, 21. Os trabalhos são presididos pela  Juíza de Direito Sucilene Engler Audino. 

O depoimento da Policial até a noite de ontem foi longo; durou cerca de 6 horas. A delegada respondeu às perguntas dos promotores do Ministério Público, e da defesa do réu Leandro Boldrini e de dúvidas dos jurados ao final do dia do júri. 

O pai da vítima, Leandro Boldrini, não participa da sessão do júri nesta terça-feira, 21. Pouco antes de entrar no Fórum de Três Passos, o réu passou mal e precisou de atendimento médico. A juíza Sucilene Engler Audino pediu que realizassem o atendimento a Leandro e, também pediu sobre a não confirmação dele em plenário. Sem o réu, o Ministério Público pediu para constar em ata o atestado médico e a assinatura com a concordância de Boldrini para a audiência ocorrer sem a presença dele.

Depoimento de 4 horas 

A segunda testemunha a depor no segundo dia de julgamento de Leandro Boldrini é a delegada regional de Três Passos, Cristiane de Moura e Silva Braucks, que atuou no caso. O depoimento da delegada durou cerca de quatro horas, detalhando sobre a investigação da morte de Bernardo. 

Segundo a delegada, a receita de medicamento utilizado por madrasta e amiga para "dopar" Bernardo tinha carimbo de Leandro. "A Edelvania e a Graciele iriam assumir a culpa e inocentar, digamos, o doutor Leandro", explica Cristiane. 

A policial disse que Edelvania Wirganovickz, amiga da madrasta, Graciele Ugulini, indicou o local onde corpo de Bernardo foi deixado. O menino Bernardo de 11 anos foi enterrado em uma cova vertical na Linha São Francisco, distrito de Castelinho, próximo a um riacho, onde a cova foi aberta dias antes por Evandro Wirganovickz, irmão de Edelvania.

Logo depois das 11h, os promotores Lúcia Helena de Lima Callegari e Miguel Germano Podanosche, encerraram seus questionamentos à Delegada. Por volta das 11h15, a segunda testemunha do júri começou a ser questionada pela defesa do réu.

A Delegada Cristiane de Moura e Silva Braucks afirma, que Leandro Boldrini "não demonstrou muito interesse em localizar" filho. Pois, até um áudio que foi apresentado em plenário, em contato realizado por Leandro Boldrini, ele concedeu entrevista à Rádio Farroupilha de Porto Alegre enquanto o Bernardo estava desaparecido, e nesse contato com a rádio, o médico não quis deixar um contato pessoal, mas o sim o da polícia caso alguém tivesse alguma informação sobre o filho.

Segundo a policial, havia um acordo entre os demais réus para livrar Leandro Boldrini da acusação de envolvimento no crime. Na primeira hora do depoimento, a policial detalhou como a apuração chegou ao envolvimento de cada um dos acusados.

Depois do intervalo

Depois do intervalo do júri para o almoço, mais uma testemunha depõe. Trata-se da ex-secretária de Boldrini, Andressa Wagner que pediu para que a imagem e o áudio do seu depoimento não fossem divulgado, portanto, não houve transmissão. A decisão foi acatada pela magistrada Sucilene. 

Segundo acompanhamento do g1RS, a ex-secretária do consultório de Leandro Boldrini diz que Graciele Ugulini passou a tratar Bernardo de forma diferente após nascimento da filha (Maria Valentina, meia-irmã de Bernardo). 

Conforme a primeira testemunha do julgamento do pai da vítima, a delegada Caroline Bamberg Machado, Bernardo amava a irmã. E de acordo com o que diz Andressa Wagner, a madrasta (Graciele), "não aguentava mais" convívio com o enteado.

Testemunhas

Ao todo, serão ouvidas 10 testemunhas. Pela acusação, foram arroladas cinco pessoas: as Delegadas de Polícia que atuaram no caso, uma Psicóloga e uma vizinha que cuidava de Bernardo com frequência. Todas já ouvidas no julgamento realizado há quatro anos.

A defesa de Leandro solicitou a oitiva de seis testemunhas. São ex-funcionários do médico, que trabalharam com ele em casa, no hospital ou na clínica, e também um primo dele.

A ex-secretária de Boldrini, também já ouvida no júri anterior, foi requisitada pelas duas partes.

Segundo julgamento

Boldrini é acusado de ter sido o mentor intelectual da morte do filho Bernardo. O réu havia sido condenado, em 2019, a 33 anos e oito meses de prisão em regime fechado, mas a decisão foi anulada em 2021 — fazendo com que ele seja submetido a novo julgamento.

A situação dos demais réus

–Graciele Ugulini (madrasta) — condenada a 34 anos e sete meses de reclusão em regime inicial fechado, está presa no Presídio Feminino Madre Pelletier com previsão de progressão para o semiaberto em 2026.

–Edelvania Wirganovicz (amiga de Graciele) — condenada a 22 anos e 10 meses de reclusão em regime inicial fechado, cumpre pena no regime semiaberto no Instituto Penal Feminino de Porto Alegre.

–Evandro Wirganovicz (irmão de Edelvania) — condenado a nove anos e seis meses em regime semiaberto e atualmente em liberdade condicional.

Júri

Após as oitivas das testemunhas e o interrogatório do réu, se iniciarão os debates. MPRS e defesa terão 1 hora e 30minutos cada para se manifestarem. Réplica e tréplica, se houver, serão de 1 hora cada. O julgamento tem previsão de ser encerrado nesta quarta-feira, 22.

 

*Com informações de GZH e g1RS

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Andre Santos